No alto da colina, entre Alfama e a Graça, o Mosteiro de São Vicente de Fora é um dos edifícios mais impressionantes de Lisboa e, ao mesmo tempo, um dos que mais turistas deixam passar. Vale a pena parar: aqui cruzam-se a fundação do reino, a arquitetura maneirista, um dos maiores conjuntos de azulejos barrocos do país e o túmulo de quase todos os reis da última dinastia.

Porque é «de Fora»?

A história começa em 1147. Depois da conquista de Lisboa aos mouros, D. Afonso Henriques mandou erguer aqui um mosteiro dedicado a São Vicente, padroeiro da cidade. Ficava fora das muralhas da época, e é daí que vem o nome. Durante séculos foi casa dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho.

Um edifício do tempo dos Filipes

O que vemos hoje não é a construção medieval. O mosteiro foi totalmente reconstruído a partir do final do século XVI, durante o reinado de Filipe II de Espanha (Filipe I de Portugal). O projeto da igreja é tradicionalmente atribuído ao arquiteto italiano Filippo Terzi, e a igreja foi consagrada em 1629. Repare na fachada: sóbria, simétrica, com torres laterais. É um bom exemplo do estilo maneirista que influenciou muitas igrejas portuguesas depois dela.

Os azulejos: uma biblioteca em azul e branco

Os claustros e corredores guardam um dos mais ricos conjuntos de azulejos barrocos do século XVIII em Portugal. À entrada, painéis narram episódios da conquista de Lisboa. No piso superior, uma série ilustra as fábulas de La Fontaine: a raposa, o lobo, o corvo, contados em azul e branco. Leve tempo. Muitos destes painéis eram feitos a partir de gravuras europeias, e cada um conta uma pequena história.

O Panteão dos Bragança

No antigo refeitório dos monges, o rei D. Fernando II mandou instalar, em meados do século XIX, o Panteão Real da Casa de Bragança. Aqui repousam reis e rainhas desde D. João IV, o primeiro monarca da dinastia, até D. Manuel II, o último rei de Portugal. Também aqui está D. Catarina de Bragança, que foi rainha de Inglaterra. É um espaço silencioso e solene, muito diferente do resto do edifício.

Antes de sair, suba

O percurso termina nos terraços, com uma das vistas mais bonitas sobre Alfama, a cúpula do Panteão Nacional e o Tejo. Se for a uma terça ou a um sábado, a Feira da Ladra acontece mesmo ao lado, no Campo de Santa Clara.

Visite primeiro em casa

Pode percorrer o mosteiro numa visita virtual 360° na Muzea, na secção Experimente já da nossa página inicial. É uma boa forma de preparar a visita, ou de voltar lá depois.

  • Onde: Largo de São Vicente, Lisboa (entre Alfama e a Graça).
  • Não perca: os painéis das fábulas de La Fontaine e os terraços.
  • Dica: confirme horários e preços no site oficial antes de ir.