Em Portugal, os azulejos estão em todo o lado: igrejas, palácios, estações de metro, fachadas de prédios. De tão comuns, quase deixamos de os ver. Mas um painel de azulejos é uma imagem com regras próprias, e com algumas pistas simples consegue perceber de que época é e o que está a contar.

Um pouco de história

A palavra azulejo vem do árabe e significa «pequena pedra polida». Os primeiros azulejos usados em grande escala em Portugal vieram de Sevilha, no início do século XVI. O Palácio Nacional de Sintra guarda um dos maiores conjuntos destes azulejos hispano-mouriscos. A partir do final do século XVII, o azul e branco, inspirado na porcelana chinesa, tornou-se dominante, e o século XVIII foi a grande época dos painéis figurativos. Depois do terramoto de 1755, a reconstrução de Lisboa usou azulejos de padrão mais simples. No século XIX, o azulejo saiu para as fachadas.

1. Afaste-se e veja a composição

Antes dos pormenores, olhe para o painel inteiro. É uma cena única ou uma sequência? Tem figuras humanas, paisagem, arquitetura? Muitos painéis do século XVIII foram pensados para um lugar concreto: acompanham uma escadaria, contornam uma porta, contam uma história ao longo de um corredor.

2. Olhe para a moldura

A cercadura que rodeia a cena é uma das melhores pistas para datar um painel. Folhas de acanto pesadas e simétricas sugerem o barroco do início do século XVIII. Conchas e curvas assimétricas, o chamado rocaille, apontam para o rococó de meados do século.

3. Repare nas cores

Azulejos policromos, com amarelos, verdes e azuis, são comuns nos séculos XVI e XVII. O azul e branco domina o final do século XVII e grande parte do XVIII. Ao fim desse século voltam as cores suaves, sobretudo nas molduras.

4. Procure a história

Muitas cenas foram copiadas de gravuras que circulavam pela Europa: episódios bíblicos, vidas de santos, mitologia, fábulas, caçadas. Se reconhecer a história, o painel ganha outra vida. Em São Vicente de Fora, por exemplo, uma série inteira ilustra as fábulas de La Fontaine.

5. Procure figuras de convite

À entrada de alguns palácios e conventos do século XVIII encontra figuras em tamanho real, como lacaios, damas ou soldados, a receber quem chega. São as figuras de convite, uma especialidade portuguesa.

Onde praticar

O melhor sítio para começar é o Museu Nacional do Azulejo, no antigo Convento da Madre de Deus, em Lisboa. Lá está o Grande Panorama de Lisboa, um painel com cerca de 23 metros que mostra a cidade antes do terramoto de 1755. Depois, é sair para a rua e olhar para cima.